Quem canta os males espanta


Além de hobby, o karaokê estimula a socialização. / Foto: Bruno Nomura

Uma turminha animada participa, às noites de quarta-feira, do Londrina Karaokê. O projeto surgiu em 2012 com o objetivo de reverter o baixo número de crianças participando de concursos de karaokê. “Se não tem criança, não vai ter jovem e assim por diante”, afirma Katia Ekuni Sakamoto, coordenadora do projeto. Ela acredita que a continuidade do karaokê é uma das formas de preservar a cultura japonesa.


Eventos musicais são tradicionais entre os imigrantes japoneses. Na tentativa de esquecer a saudade da terra natal, várias canções nipônicas foram trazidas na memória. Festivais de música lotavam salões. Embora os concursos de canto já existissem, as possibilidades eram limitadas, uma vez que se dependia de pessoas para tocarem o acompanhamento sonoro. A partir da década de 1980, a popularização da fita cassete tornou possível o que chamamos hoje de “karaokê” (“orquestra vazia”, em tradução livre do japonês): gravações instrumentais para amadores soltarem a voz, quantas vezes quiserem, seja em grandes auditórios ou na privacidade de seus lares.

Alunos têm a chance de participar de concursos nacionais de karaokê. / Foto: Bruno Nomura

No Brasil, a Associação Brasileira de Canção (ABRAC) realiza anualmente o Concurso Brasileiro da Canção Japonesa, que reúne cantores de todas as regiões do país. A média é de 700 participantes por edição. Alunos do Londrina Karaokê já disputam classificações no evento.

O projeto se mantém por meio de uma mensalidade simbólica, cobrada para pagar as despesas com a professora e o espaço utilizado nas aulas. Para Katia, sem a união e a disposição dos pais, o projeto não teria ido adiante.

Cerca de 30 crianças participam do Londrina Karaokê. Apoio dos pais é fundamental para a continuidade do projeto. / Foto: Bruno Nomura

A professora Renata Tan, mesmo grávida, demonstra disposição para lidar com as crianças, enérgicas. As músicas entoadas são clássicos japoneses infantis.

Katia explica que o formato de coral tem o objetivo de ajudar as crianças mais retraídas. As que demonstram interesse recebem orientação individual para participar dos concursos de canto. Ela comemora o aumento no número de alunos e fala até em, futuramente, abrir um horário alternativo.

Em Londrina, todas as associações nipônicas eventualmente promovem eventos de karaokê. O próximo será o 7º Aliança Shinboku Kayo Sai, no dia 17 de abril, na sede da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná (Rua Paranaguá, 1782). As apresentações começam às 7h30 e devem se estender durante o dia todo. A entrada é gratuita.

*Essa é a terceira publicação da série "Cultura Japonesa em Londrina e região: fotodocumentário" e foi adaptado de um trabalho apresentado à disciplina de Fotojornalismo da Universidade Estadual de Londrina.
Quem canta os males espanta Quem canta os males espanta Reviewed by Revista Um on segunda-feira, abril 04, 2016 Rating: 5

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