Realidade diária, assédios e abusos sexuais nas universidades são tema de debate

Sensação de medo constante. Diariamente vividos pelas mulheres, assédios e abusos sexuais foram tema de uma discussão na última sexta-feira (8) no Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UEL. Organizado pelo comitê local da Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina (IFMSA), o evento trouxe o documentário norte-americano The Hunting Ground (“Território de Caça”, em tradução livre). Lançado em 2015, o longa denuncia o acobertamento, por parte das universidades, de inúmeros casos de estupro ocorridos dentro de câmpus nos EUA. Centenas de instituições foram denunciadas e estão sob investigação.

Trailer do documentário "The Hunting Ground", em inglês

Um dos convidados para o debate foi o cientista social e mestre em educação Alcides Renofio Neto. Para ele, não há como negar que existe uma relação de profunda desigualdade entre homens e mulheres. Neto explicou que a problemática construção da masculinidade é um dos pontos fundamentais para entender a opressão do masculino sobre o feminino. Como professor, afirmou ainda que as instituições escolares têm falhado em criar ambientes de igualdade.

Assim como relatado no documentário, o cientista social observa a existência de diversos mecanismos de silenciamento das vítimas. Dessa forma, seria fundamental garantir meios para que denúncias do tipo sejam trazidas à tona e levadas adiante.

Cinquenta pessoas compareceram ao evento “Violência e Abuso Sexual nas Universidades”, no Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UEL / Foto: Bruno Nomura

Estudante do 3º ano de Medicina da UEL, Flora Passini também compunha a mesa de debate. Ela criticou o ambiente hostil vivido diariamente pelas mulheres, cuja raiz seria o machismo, que “tira a liberdade, subjuga, mata”. Ele cria um estado de medo constante em que a desigualdade é tão naturalizada que não é questionada. Essa seria a importância da luta de movimentos sociais como o feminismo.

Passini questionou também o papel das universidades, supostamente “transformadoras” e “emancipadoras”, mas que reforçam a ideologia da dominação masculina. Ao forçarem a convivência das vítimas com seus agressores (ou “predadores”, utilizando a metáfora do nome do documentário), as instituições deixam claro que não são lugares para mulheres.


Foto: Bruno Nomura

UEL

Fatos ocorridos no campus ou em dependências da UEL podem ser denunciados à Ouvidoria da universidade. Coordenado pelo ouvidor Teodósio Antônio da Silva, o serviço recebe reclamações, denúncias, elogios, sugestões e pedidos de informação. Em casos graves, há a abertura de processos que podem resultar na demissão de servidores e expulsão de estudantes.

Sobre os assédios e abusos, a recomendação é de sempre protocolar a denúncia. Silva reconhece que o número de relatos do tipo enviados à Ouvidoria é muito baixo. Ele acredita que um dos motivos seria o medo de retaliação por parte das vítimas.

O formulário para contato com a Ouvidoria pode ser acessado aqui.

O Colegiado e o Centro Acadêmico de Ciências Sociais da UEL realizam na próxima sexta-feira (15) o evento Sexo ou estupro? Novas formas de violência de gênero na universidade. A palestrante será a professora doutora da USP Heloisa Buarque de Almeida. Das 8h30 às 11h30, no anfiteatro maior do Centro de Letras e Ciências Humanas (CLCH).


Realidade diária, assédios e abusos sexuais nas universidades são tema de debate Realidade diária, assédios e abusos sexuais nas universidades são tema de debate Reviewed by Bruno Nomura on segunda-feira, abril 11, 2016 Rating: 5

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