Estudantes ocupam primeiro colégio em Londrina

Ocupação começou na tarde desta sexta (7) e mostra resistência à reforma do ensino médio e à PEC 241

Texto e fotos: Lucas Ribeiro


Depois do anúncio da reforma do ensino médio, estudantes da rede estadual de ensino do Paraná passaram a ocupar escolas por todo o estado. Até o momento, 46 escolas foram ocupadas, sendo 23 só na cidade de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.

Em Londrina não foi diferente. Os estudantes do Colégio Estadual Albino Feijó Sanches mostraram resistência à reforma.

O colégio, que fica no Parque da Indústrias, zona sul, é o maior colégio da periferia de Londrina e, até o momento, é o único em que os estudantes se mobilizaram e ocuparam. Segundo o grêmio estudantil, cerca de 100 alunos ocupam o colégio.

A ocupação no Albino Feijó está motivada – além da reforma do ensino médio –, também, em resistência à Proposta de Emenda Constitucional 241, que prevê cortes nos gastos com educação e saúde nos próximos 20 anos. A PEC 241 foi aprovada ontem (6) na Câmara dos Deputados e agora espera votação no Senado.

Para o presidente do grêmio estudantil do colégio, Leonardo de Oliveira, de 15 anos, também filiado à União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), a ocupação é para resistir a qualquer de retrocesso na educação e garantir direitos à comunidade estudantil. Oliveira diz também que a ocupação mostra que a “periferia está mais atenta e politizada, com maior senso crítico.”

Pelo menos outros quatro colégios mostraram apoio à ocupação no Albino Feijó. Rafaela Freitas, de 15 anos, é estudante do Colégio Estadual Antônio Moraes de Barros (Zona Oeste de Londrina) e diz que “só por meio de protestos e passeatas o governo não ouve os estudantes, por isso foi preciso ocupar.” Freitas ainda mostra resistência política ao falar que se “posiciona como toda mulher, negra e da periferia se posicionaria contra qualquer medida [de retrocesso].”

Ednaldo Faccio, vice-diretor da Escola Estadual Lucia Barros Lisboa (Zona Norte de Londrina), foi ao colégio prestar apoio aos estudantes. Faccio diz que todas as medidas tomadas pelo governo são “de cima para baixo” e reitera que “a periferia não vai aceitar nenhum retrocesso.”

Os estudantes se dividiram em comissões para manter a ocupação organizada e pacífica. Gabrielle dos Santos Oliveira, de 16 anos, é responsável pela comissão de alimentação e disse que a cozinha do colégio não foi liberada e que os alimentos são doações de professores que apoiam o movimento.

Emmyli Benedito, de 16 anos, é da comissão de comunicação do movimento e defende que a ocupação visa garantir os direitos dos estudantes e diz que “educação não é gasto, é investimento”, por isso vão continuar mobilizados no colégio.

Dois funcionários que estavam no pátio do colégio disseram não saber o que estava acontecendo. Questionados sobre a ocupação, ambos ignoraram a pergunta.

A ocupação é por tempo indeterminado. Os estudantes vão dormir no colégio e farão atividades culturais durante os dias de ocupação. Segundo os estudantes, a ocupação “é a primeira de muitas que estão por vir.”




Estudantes ocupam primeiro colégio em Londrina Estudantes ocupam primeiro colégio em Londrina Reviewed by Revista Um on sexta-feira, outubro 07, 2016 Rating: 5

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