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Na crista da onda


Existem muitos surfistas e existe Sérgio Laus, especialista em encarar e vencer, a bordo de sua prancha, as pororocas mais incríveis do planeta. sobre esse frágil equipamento, já deslizou por 11,8 quilômetros, durante 36 minutos, nas águas do Rio Araguari, na bacia Amazônica. recorde mundial. Mas ele quer mais


COLABORAÇÃO: OLDAIR DE OLIVEIRA
FOTOS: WILLIAM LET/SURFANDO NA SELVA

SÉRGIO LAUS, 30 ANOS, é curitibano, casado com Ana Carolina, com quem tem uma filha, Marié, de três anos. Desde que ganhou de presente sua primeira prancha de surfe, aos 10 anos, descobriu o quanto é prazeroso surfar. Mas, foi em 2000, quando se deparou com a pororoca amazônica, que deu uma guinada na sua carreira. Foi paixão à primeira vista. Deixou de lado os circuitos convencionais de surfe e passou a desbravar as ondas dos rios mais desafiadores do planeta.

Na bacia amazônica, encarando a força da pororoca do rio Araguari, no Amapá, Laus deu um novo sentido à sua vida. Desde então, volta anualmente ao mesmo cenário e observa as mudanças naquela paisagem isolada e vive as mesmas emoções sempre com uma nova perspectiva. Lá conseguiu um incrível recorde mundial, ao surfar durante 36 minutos e percorrer 11,8 quilômetros. Surfou também no rio Dordogne, na cidade de Bordeaux, na França, onde ficou fascinado com um cenário que incluem vinícolas e castelos seculares. Na China, ao lado do brasileiro Marcos Menezes e dos norte-americanos James Hurley e Budd Long, venceu a fúria da Dragão Negro, pororoca que se forma no rio Quintang.

A lembrança mais marcante dessa última peripécia, realizada em junho de 2009, foi a aglomeração de 500 mil pessoas às margens do poluído rio que corta a cidade de Hangzhou, de 6 milhões de habitantes. Agora sonha em se dar bem nas gélidas pororocas do Alasca. Alguém duvida que não conseguirá tal proeza?

Desde quando você surfa?
Comecei aos seis anos, com uma prancha de bodyboard. Mas, aos 10, ganhei minha primeira de surfe do meu pai. A partir daí não parei mais. Meus primeiros passos foram dados no litoral de Santa Catarina, em locais como Florianópolis, Balneário Camboriú e Imbituba, onde tinha tios e primos.

Mas, hoje, seu nome é mais ligado à pororoca do que ao surfe no mar...
Comecei no mar, mas depois acabei me especializando no fenômeno da pororoca. Nesse meio tempo, também me formei em jornalismo e trabalho com isso também até hoje. Tenho colunas em sites especializados e um programa sobre surfe na rádio Jovem Pan do Paraná.

Como surgiu a ideia de explorar as pororocas?
Fui pela primeira vez à bacia do Rio Amazonas em 2000, para fazer fotos para a revista Hardcore. No entanto, a gente não teve sucesso na primeira expedição e ficou por mais duas semanas no Estado do Amapá na tentativa de captar o fenômeno e surfar a onda. Antes disso, poucas pessoas tinham explorado aquilo. Era algo conhecido, mas ainda novo para boa parte do Brasil. Estávamos desbravando.

De tudo aquilo, me chamou mais a atenção a parte de explorar um local como a Amazônia, com a natureza vibrando por todos os lados, em contato com o maior bioma do mundo. Isso fez com que me desse uma vontade de entendê-lo cada vez mais e voltar para achar a onda perfeita no meio da maior floresta do mundo.

Sérgio Laus é curitibano, filho de mãe paulista e pai catarinense. Ele começou a surfar, vencendo inclusive alguns campeonatos

É possível viver do surfe no Brasil?
Não é fácil; é difícil como todo outro esporte. Mas, se a pessoa se dedicar e trabalhar de forma séria e profissional cria grandes chances de viver do surfe, assim como eu vivo. No Brasil, nada é fácil, ainda mais relacionado aos esportes radicais, que dependem apenas de si próprio para sobreviver. Por isso, pessoas como eu tem que ter bastante persistência para permanecerem vivas. Se o surfe fosse um esporte olímpico, o apoio seria maior.

É um fenômeno natural produzido a partir do encontro das águas de rios com as do mar, que leva ao surgimento de ondas que podem chegar a até seis metros

Como você se mantém?
Tenho alguns patrocinadores, como Goofy, Outdo, Ogio, PBC; e apoiadores, como o próprio William Woo, a Garmin e a Pro-Lite.

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