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Dinheiro na mão


Com o boom dos milionário no Brasil, hoje estimados em 200 mil, os famile offices, especializados em cuidar de fortunas familiares, ganham cada vez mais espaço


Texto: Leonardo Zanon
FOTOS: SHUTTERSTOCK

O BRASIL TEM sido a estrela do cenário econômico global. Depois de décadas de estagnação, o País passou a crescer e, na onda desse crescimento, permitiu que quem já tinha dinheiro fizesse muito mais. O resultado foi o aumento do número de milionários, hoje estimado em 200 mil pessoas, que, juntas, detêm uma fortuna de cerca de R$ 500 bilhões disponíveis para investimento. E, independente de crise, esse grupo tem inflado a uma incrível marca de 20% ao ano. Representa a segunda maior taxa de crescimento anual entre países, atrás somente da China. É para eles que existem serviços como private bankings e, em uma escala ainda mais restrita, os family offices.

Os primeiros são oferecidos por bancos especializados em administrar grandes fortunas; os demais são escritórios de finanças privados, que contam com profissionais como analistas financeiros, contadores e advogados, que, conforme o modelo tradicional, são criados pelos próprios donos dos ativos. Mas, também existem os multi-family offices, que são escritórios profissionais voltados a oferecer o mesmo serviço e com o mesmo fim: preservar o patrimônio familiar, evitando sua perda por má gestão.

O conceito de family office foi moldado nos Estados Unidos, no fim do século XIX, quando grupos familiares com vasto patrimônio e riquezas buscaram um novo modelo de gerenciamento da fortuna. Nesse seleto grupo estava, entre outros, os Rockefeller, ainda hoje um nome que é sinônimo de poder e dinheiro, que enriqueceu investindo nos setores bancário e industrial, principalmente no petróleo. Eles importaram da Europa um sistema de administração suíço para gerir suas fortunas, contratando profissionais especializados e tendo o controle sob suas mãos.

Estima-se que, só nos Estados Unidos, estas pequenas e sigilosas empresas reúnam patrimônio em torno de US$ 20 trilhões. Esse segmento é tão próspero por lá que há atualmente um milhão de consultores - os financial advisors - dando suporte nas questões relacionadas à administração de finanças pessoais. Aqui, no Brasil, calcula-se cerca de 40 empresas, administrando um total de R$ 200 bilhões. Ainda que tímido, esse número aumentou a passos largos, pois, há apenas uma década, difícil era achar profissionais que pudessem dar conta de tamanha responsabilidade.

 

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